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31 March 2010

Sobre corrupção

No dia em que Cravinho veio dizer aos deputados portugueses que "a corrupção política está à solta", que é urgente ter uma estratégia política de combate à corrupção e que o que não se faz é por falta de vontade política... Em Espanha o juiz Jose Castro, instrutor do caso Palma Arena ordenou uma fiança de 3 milhões de euros a Jaume Matas, antigo Ministro do Ambiente do PP e ex-presidente de Baleares. Se não a pagar aguardará julgamento na prisão. É a maior fiança de sempre para um caso desta natureza e o senhor Matas, se for condenado, pode passar 24 anos na prisão.
Não é que a justiça em Espanha seja mais isenta (senão veja-se o recente caso de Baltasar Garzón, acusado pela justiça ao abrigo de alguns "ódios" de estimação), não é que em Espanha haja menos corrupção que em Portugal, mas parece haver uma postura mais clara da justiça perante estes casos. Veremos no que dá o caso Face Oculta...

7 December 2009

EL PAÍS anexa Portugal

Na capa do jornal "EL PAÍS" de ontem pode ler-se: “La Península está en la primera línea del frente del calentamiento y será el país europeo ...”. Parece-me uma vergonha que um jornal de referência como este, e o qual tenho em boa conta, tenha esta falta de conhecimento sobre a geografia política europeia. A explicação alternativa é a tentativa de anexação subliminar de Portugal. Nesse mesmo diário escreveu-se em tempos algo que já mereceu o meu registo aqui no blogue : “graças ao trabalho de tradução da Pilar o Saramago é o maior escritor espanhol de expressão portuguesa”. Por favor, mais respeito ou menos ignorância.

5 October 2009

Militantes da impossibilidade

Há uns dias o JL enviou-me este artigo do jornal La Vanguardia entitulado o "Mistério português". Começa assim "Portugal transmite una suave impresión de caos, parecida a la que uno siente en una tienda de antigüedades".

O autor - Gabriel Magalhães - toca vários aspectos que bem caracterizam a nossa cultura portuguesa, tão distinta da nos nossos vizinhos espanhóis. Estamos sempre em viagem, sempre em busca do que está mais além. Cultivamos a distância, mesmo no nosso quotidiano. Por exemplo, não somos gente a quem lhe goste conviver na rua e mantemos as distâncias, fisicamente e verbalmente. Somos um país que tem mentalidade de rico, apesar de não o ser assim tanto. Temos manias de ser um tanto ou quanto aristocrátas, tendo substituído os titulos nobiliários pelos académicos. E somos, escreve Gabriel Magalhães, um pouco barrocos: gostamos dos detalhes mas não a estrutura. Temos, além disso, uma obsessão de ser semelhantes aos grandes países ocidentais e, por isso, temos pouco orgulho nacional e damos demasiado valor ao estrangeiro.

Gabriel Magalhães prosegue com explicações sobre a nossa história (génese, expansão, império colonial, decadência desde o século XVIII...) e conclui que Portugal é um país inviável, sustentando-se em Fernando Pessoa e na sua Mensagem: "O português é um militante da impossibilidade. Da sua impossibilidade".

Acho a frase de Pessoa mais do que ilustrativa. Somos efectivamente o exemplo de como é possível avançar mesmo quando tudo está aparentemente a desfavor. Dois exemplos: mantivemos heroicamente um território independente quando nem os mais nacionalistas territórios da peninsula ibérica conseguiram fazê-lo; tivémos que nos lançar ao mar para contrariar o acantonamento a que estavamos destinados e com isso criamos o esquiço da actual globalização, afirmando simultaneamente o português como o quinto idioma mais falado em todo o mundo...

E o curioso é que mesmo que não saibamos muito bem porque avançamos - e muito menos o entendem os supostos estrategas e analistas do mundo - vamos sabendo por onde trilhar caminho...

Diz-se que hoje somos apenas a sombra de um império que Portugal já foi, no qual o dinheiro era tanto que não se contava, pesava-se. Como resultado estamos, por assim dizer, "como peixe dento de água" na actual conjuntura económica.

Talvez a Europa possa aprender algo connosco. Robert Fogel, historiador e prémio nóbel da economia, escreve que no ano 2000 a Europa albergava 6% da população e abarcava 20% da economia mundial. Em 2040, a Europa contabilizará 4% da população e 5% da economia mundial. Creio que não é necessário dizer nada mais.

E estou de acordo com Gabriel Magalhães. Esta constante e cansativa luta pela possibilidade de Portugal deu-nos uma enorme capacidade de inventar e de reinventar-nos a todo o momento.
Acrescento ainda que nos deu a abertura, flexibilidade, modéstia e capacidades de improvisação e auto-critica que não sobejam em outros povos da Europa.

Estará Portugal, mais uma vez sem o planear, a traçar um novo esquiço do futuro da Europa e do mundo ocidental?

Por acaso hoje saiu no Público uma notícia sobre a baixa auto-estima dos portugueses.

27 August 2009

O síndrome de Don Quixote

"Para bien y para mal, el rasgo de caracter distintivo de los españoles es el orgullo. El afán de ganar fama ante los demás y de ser tenidos por intrínsecamente nobles les hace acometer empresas a menudo ridículas pero alguna vez grandiosas y casi siempre inútiles. Están contagiados por don Quijote, al que Cervantes creó como una caricatura y que sus lectores han confundido con el retrato de un ideal" (Catarina de Beauregard, em carta a Voltaire, 177...).

Imagem do filme Donkey Xote

19 August 2009

Um retiro de reis

Um Bom Retiro para um dia quente de verão...
O Real Sitio del Buen Retiro, desenhado por Alonso Carbonell foi local de recreio real desde meados do século XVII. Foi construído por ordem de Filipe IV como segunda residência.
Felizmente para os madrileños está aberto ao público desde 1869.
No Verão quente como este recrear no Retiro não é um luxo é uma imposição!

18 August 2009

Goya pinta o rei "ousado"

Carolina de Beauregard (Condesa de Montoro), que se correspondeu assiduamente com Voltaire na segunda metade do século XVIII, apresenta assim a cidade de Madrid e os esforços do rei que foi higienicamente muito "ousado":

"El rey Carlos III que es persona bastante razonable apesar de tener la fisionomia y viveza de expresión de una oveja, intentó remediar algunas de las más notables deficiencias de la ciudad. Madrid es una villa bastante grande, de más de 150.000 habitantes y de una fealdad realmente sublime. Tiene fama de ser la ciudad más sucía, pestilente y vocinglera de Europa. (...)
Carlos III encargó las reformas de Madrid a don Francisco Sabatini.
Sabatini hizo construir alcantarillas, cloacas y excusados para 14.000 viviendas; ordenó que las basuras se colocaran en lugares determinados en lugar de arrojarse sin otros miramientos a la via pública; dispuso construir aceras con cargo a los propietários de las viviendas; prohibió el deambular por las calles de cerdos y outros animales; mandó instalar 2.000 farolas públicas (...). Tantos câmbios causaran vértigo en el buen pueblo de Madrid que se sentia feliz entre la mierda y las tinieblas. Se inició una revuelta sediciosa bastante grave encabezada por un cura y las turbas apedrearan con entusiasmo las farolas hasta no dejar una sana, amén de intentar asaltar la casa de Sabatini para castigarle por su osadia higiénica..."